Podemos diferenciar angustia, dor e também luto, porém o luto surge por influencia da realidade que impõe de fato uma perda, uma separação de um objeto amado e toda a ligação que desaparece e que é impossível de substituir, fato que pede um trabalho imenso do sujeito para elaborar o desligamento dos laços que o mantinham unido ao objeto.
As vezes escapar de uma desgraça ou sobreviver a um sofrimento, se converte em uma finalidade, e evitar o sofrimento passa a primeiro plano e conseguir prazer passa a segundo plano. Por isso que o afastamento voluntário dos demais passa a ser um método de proteção imediato contra o sofrimento suscetível que acontece nas relações humanas, para não falar do assunto.
Contra o que parece ser o terrível mundo exterior o método mais utilizado é o método químico: a intoxicação, com produtos que mediante a produção de sensações de prazer fazem com que se acredite que o mundo ao redor é outro, quando não é. Os seres humanos sabem que sendo um “coitadinho” pode quem sabe escapar do peso da realidade, mesmo que saiba que essa qualidade é o que gera mais perigo e nocividade para sua vida.
Outro modo de evitar o sofrimento são as satisfações de criação, ainda que não impeça o sofrimento proveniente de nosso corpo, nem nos faça esquecer a miséria real.
Numerosos indivíduos tentam garantir segurança na felicidade como forma de proteção contra a dor por meio de uma transformação delirante da realidade, por isso as vezes a religião se comporta como um delirio coletivo.
Ser feliz como nos impõe o principio de prazer é impossível, mas não é por isso que se deve abandonar os esforços de aproximar-se da realidade, sabendo que além da obtenção do prazer e de evitar a dor, a felicidade em relação direta de como se estrutura a economia libidinal de cada pessoa. É por isso que os neuróticos mesmo tendo os mesmos problemas pra resolver que os outros, sua vida é um pouco pior e mais difícil, porque têm mais desprazer, angustia e dor que os demais. Por isso somente uma transformação de sua economia libidinal pode mudar sua posição de sofredor.
E os neuróticos não diferem totalmente do normal, mas mostram que há pontos débeis da organização “normal”.
É difícil efetuar um trabalho indolor em uma pessoa que já se acostumou a sentir dor e a esconder isso dos outros, mas se há uma persistencia no trabalho analítico é certo que o se alcança o êxito.

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