quinta-feira, 17 de junho de 2010

A DOR QUE DOI!



A diferença do luto e da dor é que a dor não integra manifestações motoras e quando aparecem demonstram não serem do afeto e sim conseqüências ou reações da dor.

As vezes surge uma dor súbita, que podemos chamar de ataque de angustia, um sinal do encontro com o desejo do Outro, com um desejo inconsciente.

A separação do objeto amado pode produzir angustia, luto ou simplesmente dor, podemos perguntar quando ocorre cada um desses e quais são as diferenças dos sentimentos de perda do objeto. Uma criança, por exemplo, quando acha que vai se encontrar com a mãe e se encontra com a babá ou com uma pessoa estranha, sente angustia e dor. Sente angustia porque acredita que perdeu a mãe e sente dor porque acredita que é pra sempre e por isso é importante aprender o jogo da presença x ausência, no desaparecer das coisas e no seu aparecimento, no jogo de esconder o rosto (tapar e destapar) nessas ausências passageiras.

Nas situações em que as crianças separam-se pouco da mãe, não que seja uma situação totalmente perigosa, porém pode se tornar traumática porque nesse caso de a mãe se ausentar pouco a criança tem uma necessidade da mãe que nenhuma outra pessoa consegue satisfazer.

A primeira condição da angustia é quando se perde a percepção do objeto e isso equivale a real perda do objeto. A perda de carinho não está em questão aqui, não é que é levado em conta nesse caso pois o que estamos dizendo é que se a criança não percebe a presença física da mãe, ela se perde.

Mais tarde a criança vai aprender que o objeto – mãe – pode estar presente, mas pensa que pode estar zangado com ele, quando então considera a perda de carinho do objeto uma condição já permanente de perigo e angustia. Podemos então dizer que a dor é a reação à perda do objeto e a angustia é reação ao perigo que tal perda traz.
 
...esse texto segue amanhã...

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