segunda-feira, 25 de outubro de 2010

para amar ... além do casal... é preciso trabalho!

PÚBLICO: se eu busco meu próprio desenvolvimento e é o que amo e, nessa busca, nesse crescimento pessoal vou amando coisas, vou amando a arte que me ajuda a me expressar, os livros, a profissão, como compagino isso com um amor de casal?


MOM: se um amor de casal não me permite que às vezes eu esteja apaixonado, não por outra pessoa, mas da arte, das ciências, da poesia, do mundo em geral, então não é uma relação de casal, ou é uma relação de casal da época da idade da pedra.

É como um ser que não tem interesse em uma conversa sobre a transcendência, bueno, não é um ser, como um ser humano não vai se interessar por conversar sobre a transcendência... é o mesmo.

Como chamo casal... se tenho que estar somente apaixonado pelo casal, e do que conversamos? Não falamos. Esta é outra demonstração de que se pode amar sem falar, como os animais, se pode amar sem pronunciar uma só palavra. Ao contrário, não se pode gozar sem pronunciar palavras. Façam a prova. Voltem no ano que vem e me digam como foi.

Eu creio que uma pessoa, mais ou menos sã, quando ama alguém, se é que pode amar, quando ama alguém é para vê-lo em liberdade.

Eu sempre digo aos casais: você conheceu essa moça quando ela era livre, tinha amigos, tinha amigas, estudava, trabalhava e agora você quer que ela deixe de trabalhar, que deixe de ter amigos?... e se a moça faz caso disso que ele fala, ele deixa de estar apaixonado porque ele se apaixonou por ela enquanto ela era livre. Espero que tenham entendido.

Uma pessoa se apaixona por outra, me apaixonei sim, mas agora quero que ele se submeta a mim... e para que quero que se submeta a mim? para abandonar-te porque não suporto estar apaixonado.

Lembrem-se que para seguir apaixonado é preciso trabalhar algo, não gostam de trabalhar porque vivemos em uma sociedade injusta que nos fazem falar e pensar muito mal do trabalho.



Charla – amor, trabalho, sexo, poesia e psicanálise, com Miguel Oscar Menassa.



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