terça-feira, 19 de outubro de 2010

FAMÍLIAS DE HOJE...

PÚBLICO: Inclusive se pensa que já se nasce pronto, e não que é um trabalho se construir. Em geral te transmitem que já se nasce pronto.

MOM: sim, que vem de fábrica, que a mãe te fez perfeito. Mas isso é uma barbaridade, porque ai estou negando a escola primária, estou negando o secundário, estou negando o bairro, estou negando os amigos do bairro, estou negando os sábios do bairro, é muito neurótico, acreditar que já se nasce pronto é muito neurótico.

Acreditar que na semente está a árvore, e a semente não é nenhuma árvore. Planto a semente, tenho que remover a terra, tenho que regar, tenho que regar permanentemente, se deixo de regar seca e não há mais árvore. Para que haja árvore tem que haver trabalho, uma criança não é um homem e não é uma mulher, tem que haver trabalho.

Que geralmente nas sociedades atuais se realiza muito mal.

Porque eu digo: os alucinados modernos são gente sem pai e sem mãe. Portanto, terminar com a família quer dizer educar aos filhos como se deve e não como se educa agora. Não quer dizer terminar com a família, quer dizer terminar com esta família perversa que faz crianças perversas, crianças drogadas, crianças sem vontade, crianças depressivas.

Vocês calculem que as últimas investigações nas grandes clínicas oncológicas que cuidam de câncer, nos últimos 10 anos modificou as tendências, antes se via como vinha o câncer, e como vinha o câncer era o que deprimia, e então chamavam um psicólogo.

Acontece que nas investigações atuais faz mais de uma década que se reverteu, primeiro vem a depressão e depois vem o câncer. E nós, em nossas investigações sobre HIV dizemos exatamente o mesmo: sem depressão não há contágio. É dizer que para o HIV te contagiar, para que o contagio se transforme em enfermidade, tem que haver uma depressão prévia. Digo isso para que vejam a importância do psiquismo no corpo. Como aquele corpo que resgato da espécie, não depende de mim, depende de minhas convicções inconscientes.

Charla – amor, trabalho, sexo, poesia e psicanálise, com Miguel Oscar Menassa.

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