terça-feira, 23 de novembro de 2010

MUITOS AMORES...

Os grande escritores sempre souberam que há poucos temas que comovem a vida: a morte, a dor, a fome, o amor. Os psicanalistas sabemos que para a experiência clínica o tema do amor tem uma dimensão crucial porque no tratamento vai iniciar uma viajem amorosa onde o analista deseja curar e o paciente fala esperando ser amado por quem o escuta, e assim se põe em funcionamento as distintas problemáticas do amor.


A palavra amor é ambígua, eminentemente polissêmica, é a polissemia encarnada, já que se pode aplicar a situações muito diferentes: fala-se do amor entre um homem e uma mulher, do amor entre irmãos, ou do amor entre os pais e filhos, do amor a um projeto, do amor a um animal, ou amor a si mesmo.

Mas também é uma palavra que é habitual usar para qualquer situação comum, por exemplo, na expressão – que amor! – para dizer que algo é lindo ou amável, ou comovente. Mas também podemos chamar de libido, ou Eros.

Também falamos de amor sublime, ou de amor não correspondido, ou de amor de transferência dentro da psicanálise, ou do amor cortês como o que relata Cervantes entre Dom Quixote e Dulcinéia.

E podemos usar a palavra amor para inúmeras situações diferentes, mas essa ambigüidade potentemente ativa, fecunda nessa mesma ambigüidade, e vem mostrar que AMOR é um significante que toca tanto ao corpo como à palavra.

Marcela Villavella na palestra - O AMOR NA PSICANÁLISE

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